
Chegada de Vasco da Gama e sua frota na Ilha dos Amores
A fabulosa ilha escondia mais uma surpresa: as Ninfas ou Nereidas, aquáticas donzelas que esperavam os navegadores, dando-lhes o deleite tão merecido após tantos males sofridos.
"Ali, com mil refrescos e manjares,
Com vinhos odoríferos e rosas,
Em cristalinos paços singulares
Formosos leitos, e elas mais formosas;
Enfim, com mil deleites não vulgares,
Os esperem as Ninfas amorosas,
De amor feridas, para lhes entregarem
Quanto delas os olhos cobiçarem."
(Canto IX, 41)
A fartura de alimentos, belas donzelas e bebidas encantaram os lusitanos, que se encheram de prazer e alegria durante todo o tempo que ali passaram. As Ninfas, após uma certa resistência, para aumentar o desejo dos portugueses, se entregaram totalmente, com sorrisos e ardentes suspiros, dando-lhes a glória pelas injúrias.
"Caem as Ninfas, lançam das secretas
Entranhas ardentíssimos suspiros;
Cai qualquer, sem ver o vulto que ama:
Que tanto, como a vista, pode a fama."
(Canto IX, 47, 5-8)
Os navegantes, desejando encontrar caça selvagem, lançavam-se ao mar com determinação. Encontraram, porém,
"Por entre verdes ramos, várias cores,
Cores de quem a vista julga e sente
Que não eram das rosas ou das flores,
Mas da lã fina e seda diferente,
Que mais incita a força dos amores,
De que se vestem as humanas rosas,
Fazendo-se por arte mais fermosas."
(Canto IX, 68, v.2-8)
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