domingo, 29 de junho de 2008

E pra fechar...


Luís Vaz de Camões (Data de nascimento: provavelmente entre 1517 e 1524 — Data de falecimento: 10 de Junho de 1580) é frequentemente considerado como o maior poeta de língua portuguesa e um dos maiores da Humanidade. O seu génio é comparável ao de Virgílio, Dante, Cervantes ou Shakespeare. Das suas obras, a epopéia Os Lusíadas é a mais significativa.
Bom, chegamos ao fim do nosso blog, espero que tenham gostado e que ele possa ser de grande ajuda na compreensão dessa obra fabulosa da literatura portuguesa.
Comentem, expondo suas opiniões, críticas, elogios e tudo o mais. Obrigado pela visita e voltem sempre!

Canto X - Parte III

Tétis aponta os lugares onde os portugueses ainda se farão presentes. Foi então, que se falou do Descobrimento do Brasil.
"140 - O Brasil (Terra de Santa Cruz)
Mas cá onde mais se alarga, ali tereis
Parte também, co pau vermelho nota;
De Santa Cruz o nome lhe poreis;
Descobri-la-á a primeira vossa frota.
Ao longo desta costa, que tereis,
Irá buscando a parte mais remota
O Magalhães, no feito, com verdade,
Português, porém não na lealdade."

Regressam os nautos a Portugal, onde recebem as glórias que lhes são devidas.
"Assim foram cortando o mar sereno,
Com vento sempre manso e nunca irado,
Até que houveram vista do terreno
Em que naceram, sempre desejado.
Entraram pela foz do Tejo ameno,
E à sua pátria e Rei temido e amado
O prêmio e glória dão por que mandou,
E com títulos novos se ilustrou."
(Canto X, 144)

Canto X - Parte II


Em meio aos cantos e ao banquete, Sirena, uma das Ninfas, anuncia os feitos portugueses no Oriente (estâncias 10 a 73) e as conquistas que ainda estariam por vir. Camões aqui, ultiliza mais uma vez, o artifício da profecia, para contar o que se passou no ano da descoberta do caminho para a Índia, 1498.


Depois de terminado o farto banquete, Tétis convida Vasco da Gama para o espetáculo da Máquina do Mundo, o espetáculo único das esferas celestes de Ptolomeu (estâncias 77 a 144).

"Uniforme, perfeito, em si sustido,
Qual, enfim, o Arquetipo que o criou.
Vendo o Gama este globo, comovido
De espanto e de desejo ali ficou.
Diz-lhe a Deusa: - «O transunto, reduzido
Em pequeno volume, aqui te dou
Do Mundo aos olhos teus, pera que vejas
Por onde vás e irás e o que desejas."
(Canto X, 79)


Canto X - Parte I

O canto X do livro “Os Lusíadas” começa nos mostrando a segunda parte dos portugueses na Ilha dos Amores, onde, depois de terem sido recebidos pelas ninfas, eles seguem para o Palácio de Tétis, onde um delicioso banquete os aguarda. Tudo era muito luxuoso, muito farto, do bom e do melhor, como podemos perceber nesse trecho:
“Ali, em cadeiras ricas, cristalinas (...)
De iguarias suaves e divinas,
A quem não chega a Egípcia antiga fama ,
Se acumulam os pratos de fulvo ouro,
Trazidos lá do Atlântico tesouro.”
(Canto X, 3)

E assim eles se deliciaram, seguidos pelo belo canto de uma das ninfas. (estâncias 6 e 7)
"Cantava a bela Ninfa, e cos acentos,
Que pelos altos paços vão soando,
Em consonância igual, os instumentos
Suaves vêm a um tempo conformando.
Um súbito silêncio enfreia os ventos
E faz ir docemente murmurando
As águas, e nas casas naturais
Adormecer os brutos animais

Com doce voz está subindo ao Céu
Altos varões que estão por vir ao mundo,
Cujas claras Ideias viu Proteu
Num globo vão, diáfano, rotundo,
Que Júpiter em dom lho concedeu
Em sonhos, e despois no Reino fundo,
Vaticinando, o disse, e na memória
Recolheu logo a Ninfa a clara história."

Neste canto, Camões ainda faz referência aos heróis e governadores da Índia, que também mereceriam a Ilha dos Amores. Dentre eles, estão: Duarte Pacheco Pereira (estâncias 12 a 23), Francisco de Almeida e o seu filho Lourenço de Almeida (26 a 38), Vasco da Gama (53), Martim Afonso de Sousa (63 a 67) e muitos outros.

Canto IX - Parte III


As Ninfas
Estavam todos entregues ao amor. O desejo era tanto, que acabaram por prometer enterna companhia, em vida e morte, de honra e alegria. E neste ambiente paradisíaco, o amor torna-se possível, feito de sensualidade, desejo e paixão pela beleza.
Tétis, a maior, e a quem todas as outras Ninfas obedeciam, apresentou-se a Vasco da Gama, recebendo-o com pompa. Tomando-o pela mão, levou-o para o seu palácio, onde lhe explicou (estâncias 89 a 91) o significado da Ilha dos Amores, prêmio dado pela deusa da beleza pelos seus feitos imortais e soberanos.
"89 - As Flores
Que as Ninfas do Oceano tão formosas,
Tethys, e a ilha angélica pintada,
Outra coisa não é que as deleitosas
Honras que a vida fazem sublimada.
Aquelas proeminências gloriosas,
Os triunfos, a fronte coroada
De palma e louro, a glória e maravilha:
Estes são os deleites desta ilha.

90 - Os Deuses
Que as imortalidades que fingia
A antigüidade, que os ilustres ama,
Lá no estelante Olimpo, a quem subia
Sobre as asas ínclitas da Fama,
Por obras valorosas que fazia,
Pelo trabalho imenso que se chama
Caminho da virtude alto e fragoso,
Mas no fim doce, alegre e deleitoso:
91 - As flores
Não eram senão prêmios que reparte
Por feitos imortais e soberanos
O mundo com os varões, que esforço e arte
Divinos os fizeram, sendo humanos.
Que Júpiter, Mercúrio, Febo e Marte,
Eneias e Quirino, e os dois Tebanos,
Ceres, Palas e Juno, com Diana,
Todos foram de fraca carne humana."
Enfim, a Ilha dos Amores representou a superação do Homem e sua busca permanente por seus ideais, merecendo o natural reconhecimento.

Canto IX - Parte II

















Chegada de Vasco da Gama e sua frota na Ilha dos Amores



A fabulosa ilha escondia mais uma surpresa: as Ninfas ou Nereidas, aquáticas donzelas que esperavam os navegadores, dando-lhes o deleite tão merecido após tantos males sofridos.
"Ali, com mil refrescos e manjares,
Com vinhos odoríferos e rosas,
Em cristalinos paços singulares
Formosos leitos, e elas mais formosas;
Enfim, com mil deleites não vulgares,
Os esperem as Ninfas amorosas,
De amor feridas, para lhes entregarem
Quanto delas os olhos cobiçarem."
(Canto IX, 41)


A fartura de alimentos, belas donzelas e bebidas encantaram os lusitanos, que se encheram de prazer e alegria durante todo o tempo que ali passaram. As Ninfas, após uma certa resistência, para aumentar o desejo dos portugueses, se entregaram totalmente, com sorrisos e ardentes suspiros, dando-lhes a glória pelas injúrias.

"Caem as Ninfas, lançam das secretas
Entranhas ardentíssimos suspiros;
Cai qualquer, sem ver o vulto que ama:
Que tanto, como a vista, pode a fama."
(Canto IX, 47, 5-8)
Os navegantes, desejando encontrar caça selvagem, lançavam-se ao mar com determinação. Encontraram, porém,
"Por entre verdes ramos, várias cores,
Cores de quem a vista julga e sente
Que não eram das rosas ou das flores,
Mas da lã fina e seda diferente,
Que mais incita a força dos amores,
De que se vestem as humanas rosas,
Fazendo-se por arte mais fermosas."
(Canto IX, 68, v.2-8)

Canto IX - Parte I

No canto IX, surge uma controvérsia quanto ao estilo sonhador do texto. Os marinheiros valentes que estão em lócus amoenus geram a descendência semi-divina da caça lusa, da qual uma ninfa profetiza os feitos futuros. Seguem para o Sul, em direção ao Cabo da Boa Esperança. Ao mesmo tempo, Vênus tenta encontrar um jeito de recompensá-los por todas as dificuldades enfrentadas. Então, ele pede ajuda ao seu filho Cupido para juntar os amores. Preparam uma ilha, onde as ninfas esperarão pelos marinheiros.

Durante uma parada para descanso nessa tal ilha, os lusos se surpreendem com a beleza local, descrita na estância 56 do canto IX:
"Mil árvores estão ao céu subindo,
Com pomos odoríferos e belos;
A laranjeira tem do fruto lindo
A cor que tinha Dafne nos cabelos.
Encosta-se no chão, que está caindo,
A cidreira com os pesos amarelos;
Os formosos limões ali, cheirando,
Estão virgíneas tetas imitando."

É na Ilha dos Amores que a tensão e a carência cedem lugar ao sentimento de conquista sobre o mar desconhecido. Esta ilha simboliza porto e prêmio aos fatigados navegadores, a glorificação pelos feitos heróicos, o restabelecimento da harmonia.
As belas ninfas andavam nuas pelas florestas, algumas tocavam cítaras, outras flautas...
"[...]aconselhara a mestra experta:
Que andassem pelos campos espalhadas;
Que, vista dos barões a presa incerta,
Se fizessem primeiro desejadas.
Algumas, que na forma descoberta
Do belo corpo estavam confiadas,
Posta a artificiosa formosura,
Nuas lavar se deixam na água pura."
(Canto IX, 65)